Tuesday, March 04, 2008

Lygia Fagundes Telles


Descobri outro dia que a gente só se mata por causa dos outros, para fazer efeito, dar reação, compreende? Se não houvesse ninguém em volta para sentir piedade, remorso e etc. e tal, a gente não se matava nunca. Então descobri um jeito ótimo, me matar e continuar vivendo. Largo meus sapatos e minha roupa na beira do rio, mando cartas e desapareço.

Verão no Aquário

Wednesday, February 20, 2008

Jose Carlos Marinho Silva




Ah, meu bom Jesus! Quanto mais a gente vive é que aprende melhor que as coisas acontecidas são mais impossíveis que as coisas imaginadas.


O Gênio do Crime



Friday, February 08, 2008

Lygia Fagundes Telles


"Ah! se a gente pudesse se organizar com o equilíbrio das estrelas tão exatas nas suas constelações. Mas parece que a graça está na meia-luz. Na ambigüidade. E até as estrelas, pobrezinhas, equilibradas mas tremendo tanto na solidão... "

"Gregório podia me ajudar in memoriam pelo tempo que me amou, sabia latim. Até grego. Mecânica celeste. Acho que andava triste comigo mas quem aprendeu tanto devia perdoar quem sabe tão pouco."

AS HORAS NUAS


Wednesday, January 30, 2008

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO


"De Paris, amo tudo com igual amor: os seus monumentos, os seus teatros, os seus bulevares, os seus jardins, as suas árvores… Tudo nele me é heráldico, me é litúrgico."
"Europa! Europa! Encapela-te dentro de mim, alastra-me da tua vibração, unge-me da minha época!…"
A CONFISSÃO DE LÚCIO

Monday, January 28, 2008

Herman Melville


...decidi voltar a navegar, ou seja, aventurar-me de novo pelas vastas planícies líquidas do Mundo. Achei que nada haveria de melhor para desopilar, quer dizer, para vencer a tristeza e regularizar a circulação sanguínea. Algumas pessoas, quando atacadas de melancolia, suicidam-se de qualquer maneira. Catão, por exemplo, lançou-se sobre a própria espada. Eu instalo-me tranquilamente num barco. O que nada tem de espantoso. Os homens não se dão conta disto, mas todos, em certo momento da vida, sentiram pelo mar um amor tão profundo como o meu. No entanto, não é como passageiro que navego.
MOBY DICK

João Cabral de Melo Neto


Estatura pequena e nítida
das cidades de onde ela era:
daquele justo para o abraço
que é de Cádiz, onde nascera,
e de Sevilha, onde vivia e se dizia,
mas não era: cidades que ainda se podem abraçar
de uma vez, completas, e que dão certo estar-se dentro,
àquele que as habita ou versa, a entrega inteira,
feminina, e sensual ou sexual, de sesta.

Lygia Fagundes Telles