Thursday, November 30, 2006

PLINIO MARCOS






Jesus, eu me chamo Madalena.
Sou a mulher que com o olhar de pedra
visto luxuria
visto piedade
e sento na noite
da casa funesta
que vende conforto,
conforto carnal.
E espero ansiosa para que nao venha ninguem...
Mas virao (...) pareas, alejados, ladroes, soldados
aflita legiao.
para que amanha
as virgens
sejam mais virgens.
Jesus, livra-me desse martirio.
Me leva com voce.
JESUS HOMEM

Wednesday, November 29, 2006

ERICO VERISSIMO


"Ergueu Leonor nos braços, segurou a mão de Bolívar, lançou um último olhar para a sepultura de Rodrigo e achou que afinal de contas tudo estava bem. Podiam dizer o que quisessem, mas a verdade era que o Capitão Cambará tinha voltado para casa."


Um Certo Capitão Rodrigo

Cecilia Meireles


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo,
assim triste,
assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida a minha face?

CASIMIRO DE ABREU


Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Como são belos os dias
Do despontar da existência !
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor !
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

CLARICE LISPECTOR


Nao se preocupe em entender.
Viver ultrapassa todo entendimento.

Tuesday, November 28, 2006

PABLO NERUDA


Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas
de mi alma emerges de las cosas,
llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

Manuel Bandeira


Desencanto


Eu faço versos como quem chora

De desalento... de desencanto...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue.

Volúpia ardente...Tristeza esparsa... remorso vão...

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.