Friday, April 24, 2009

WILLIAM SHAKESPEARE

Que importa o quanto eu já tenha visto ou conhecido? Sonhei que havia um nobre rei por nome Antônio. Ah! Se pudesse mais uma vez dormir para de novo ver um homem como ele! Por céu tinha o rosto onde brilhavam o sol e a lua, iluminando a Terra. Abarcava com as pernas o oceano e o braço erguido coroava o mundo. A voz tinha a harmonia das esferas quando aos amigos falava, mas se quisesse abalar os ventos era como um trovão. Seu gosto em dar não conhecia o inverno, era sempre um outono que ficava mais rico ao ser colhido. Seu prazer, como o golfinho, mostrava o dorso acima das ondas. Coroas e diademas apertavam-se em seu séquito. Reinos e ilhas eram as moedas que do bolso lhe caíam...
ANTONIO E CLEÓPATRA

WILLIAM SHAKESPEARE

Oh sol, abrasa a esfera em que te moves, deixa sem luz as estrelas e apaga as praias deste mundo...
Morro Egito, morro. E só por um instante aqui detenho a morte até que eu possa pousar, dentre milhares, ainda um beijo - o último - em teus lábios.

Reanima-te com beijos? Ah, se meus lábios tivessem tal poder...
Uma palavra, doce rainha: Não chore e nem lamente as tristes mudanças do meu fim. Pense apenas em dar-te força as glórias passadas do que vivi. Quando eu era o maior entre os principes, o mais nobre que nesta hora não morre baixamente.

Vais morrer e de mim já não fazes caso? É preciso que eu permaneça só neste mundo vil, que privado de ti, vale tanto quanto um chiqueiro? Derreteu-se a coroa da Terra e o estandarte caiu não ficando nada mais que merecesse ser notado nas visitas da lua. Morrer agora só me cumpriria o destino de avistar-me com os deuses cruéis e dizer-lhes que meu mundo era igual ao deles até que me privaram de minha jóia rara.
ANTONIO E CLEÓPATRA

WILLIAM SHAKESPEARE

Fui traído.
Alma falsa do Egito!
Mal encanto, por cujo olhar eu fiz e desfiz guerras,
Que foi minha coroa, meu propósito
Cigana que me prendeu
Me fascinou até eu perder tudo!

Antonio e Cleópatra

Thursday, April 16, 2009

HERMANN HESSE


Pense em tudo que existe, que entre a lua e você perpassam radiações e fluxos, que existem a morte, a região das almas e o retorno à terra e que para todas as imagens e fenômenos do mundo há uma resposta no íntimo de seu coração, e que tudo lhe diz respeito.

O Jogo das Contas de Vidro

Monday, March 30, 2009

TAYLOR CALDWELL


- Um dia - disse Lucano - eu O encontarei... Não sei onde, mas eu O encontarei. Ouvirei a Sua voz, e O conhecerei. Ele está em toda parte, mas eu hei de conhece-Lo em particular, e Ele falará comigo, não só na lua e no sol, nas florestas e nas pedras, nos pássaros e no vento, nas auroras e nos poentes. Eu O servirei, e darei a Ele o meu coração e a minha vida.

Médico de Homens e de Almas

Saturday, November 22, 2008

Lygia Fagundes Telles


"Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente. Imaginava uma cratera negra dentro da qual os pecadores mergulhavam sem socorro. Contudo, não conseguia visualizar os corpos lá no fundo e isso me apaziguava."

"Mas até nos momentos mais agudos dessa autoflagelação eu tive o que não tivera antes, esperança. Esperança em mim. Esperança nos outros, esperança em Deus, que eu nem sabia se existia ou não, mas que jamais me abandonaria."


O ESPARTILHO

Sunday, August 24, 2008

Lygia Fagundes Telles

E Yasbeck foi quem mais teve ciúme de mim, até detetive punha me vigiando. Finge que não liga mas a pupila se dilata e transborda como tinta preta derramando no olho amarelo. Já falei nesse olho? É nele que vejo a emoção. O ciúme. Fica intratável. Recusa a manta, a almofada e vai para o jardim, o apartamento fica no meio de um jardim que mandei plantar especialmente, uma selva em miniatura. Fica lá o dia inteiro, amoitada na folhagem, posso morrer de chamar que nao vem, o focinho molhado de orvalho ou de lágrimas.

TIGRELA - MEUS CONTOS ESQUECIDOS