Friday, April 24, 2009

WILLIAM SHAKESPEARE

Oh sol, abrasa a esfera em que te moves, deixa sem luz as estrelas e apaga as praias deste mundo...
Morro Egito, morro. E só por um instante aqui detenho a morte até que eu possa pousar, dentre milhares, ainda um beijo - o último - em teus lábios.

Reanima-te com beijos? Ah, se meus lábios tivessem tal poder...
Uma palavra, doce rainha: Não chore e nem lamente as tristes mudanças do meu fim. Pense apenas em dar-te força as glórias passadas do que vivi. Quando eu era o maior entre os principes, o mais nobre que nesta hora não morre baixamente.

Vais morrer e de mim já não fazes caso? É preciso que eu permaneça só neste mundo vil, que privado de ti, vale tanto quanto um chiqueiro? Derreteu-se a coroa da Terra e o estandarte caiu não ficando nada mais que merecesse ser notado nas visitas da lua. Morrer agora só me cumpriria o destino de avistar-me com os deuses cruéis e dizer-lhes que meu mundo era igual ao deles até que me privaram de minha jóia rara.
ANTONIO E CLEÓPATRA

WILLIAM SHAKESPEARE

Fui traído.
Alma falsa do Egito!
Mal encanto, por cujo olhar eu fiz e desfiz guerras,
Que foi minha coroa, meu propósito
Cigana que me prendeu
Me fascinou até eu perder tudo!

Antonio e Cleópatra

Thursday, April 16, 2009

HERMANN HESSE


Pense em tudo que existe, que entre a lua e você perpassam radiações e fluxos, que existem a morte, a região das almas e o retorno à terra e que para todas as imagens e fenômenos do mundo há uma resposta no íntimo de seu coração, e que tudo lhe diz respeito.

O Jogo das Contas de Vidro

Monday, March 30, 2009

TAYLOR CALDWELL


- Um dia - disse Lucano - eu O encontarei... Não sei onde, mas eu O encontarei. Ouvirei a Sua voz, e O conhecerei. Ele está em toda parte, mas eu hei de conhece-Lo em particular, e Ele falará comigo, não só na lua e no sol, nas florestas e nas pedras, nos pássaros e no vento, nas auroras e nos poentes. Eu O servirei, e darei a Ele o meu coração e a minha vida.

Médico de Homens e de Almas

Saturday, November 22, 2008

Lygia Fagundes Telles


"Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente. Imaginava uma cratera negra dentro da qual os pecadores mergulhavam sem socorro. Contudo, não conseguia visualizar os corpos lá no fundo e isso me apaziguava."

"Mas até nos momentos mais agudos dessa autoflagelação eu tive o que não tivera antes, esperança. Esperança em mim. Esperança nos outros, esperança em Deus, que eu nem sabia se existia ou não, mas que jamais me abandonaria."


O ESPARTILHO

Sunday, August 24, 2008

Lygia Fagundes Telles

E Yasbeck foi quem mais teve ciúme de mim, até detetive punha me vigiando. Finge que não liga mas a pupila se dilata e transborda como tinta preta derramando no olho amarelo. Já falei nesse olho? É nele que vejo a emoção. O ciúme. Fica intratável. Recusa a manta, a almofada e vai para o jardim, o apartamento fica no meio de um jardim que mandei plantar especialmente, uma selva em miniatura. Fica lá o dia inteiro, amoitada na folhagem, posso morrer de chamar que nao vem, o focinho molhado de orvalho ou de lágrimas.

TIGRELA - MEUS CONTOS ESQUECIDOS

Sunday, July 13, 2008

Marguerite Duras


Muito cedo na minha vida foi tarde de mais. Aos dezoito anos era já tarde de mais. Entre os dezoito e os vinte e cinco anos o meu rosto partiu numa direção imprevista. Aos dezoito anos envelheci. Não sei se é assim com toda a gente, nunca perguntei. Parece-me ter ouvido falar dessa aceleração do tempo que nos fere por vezes quando atravessamos as idades mais jovens, mais celebradas da vida.
O AMANTE